Os búzios rolam
meus olhos embassam.
O babá joga denovo;
tonteia, Oxalá, valei-me!
deu-se o consumado.
faíscas de luz
xeque-mate!
de sete cartas e dezeseis búzios.
rentes como faca de ponta amolada
certeiros como flechas;
se lançadas, nunca erram.
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Sonho de Angola
Hoje, tive um sonho.
e no meu sonho, havia um velho.
Negro, descalço, roupas de saco, e cachimbo na boca.
ria gostoso, e apoiado num toco chamava por mim.
"venha moça, achegue aqui."
E sem piscar fui eu,
Na fumaça do seu cachimbo,
eu vi minha vida;
Das suas bocas, as palavras eram pérolas simples
daquelas que você encontra escondida num canto do fundo do mar.
"Fia, você vai trabaiá, e cuidado pra não se estrepá.'
E me falou da vaidade dos homens, me falou da beleza do mundo
do peso de ser negro, do aperto dos grilhões.
pois em meu pescoço um rosário de semente:
minha cruz pra carregar;
"vamo fia! vem ser nega, nega, nega dentro desse gongá!"
E eu fui, eu fui pra nunca mais voltar.
Lays Vanessa.
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