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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Sonho de Angola


Hoje, tive um sonho.
e no meu sonho, havia um velho.
Negro, descalço, roupas de saco, e cachimbo na boca.

ria gostoso, e apoiado num toco chamava por mim.
"venha moça, achegue aqui."
E sem piscar fui eu,

Na fumaça do seu cachimbo,
eu vi minha vida;
Das suas bocas, as palavras eram pérolas simples
daquelas que você encontra escondida num canto do fundo do mar.


"Fia, você vai trabaiá, e cuidado pra não se estrepá.'

E me falou da vaidade dos homens, me falou da beleza do mundo
do peso de ser negro, do aperto dos grilhões.
pois em meu pescoço um rosário de semente:
minha cruz pra carregar;

"vamo fia! vem ser nega, nega, nega dentro desse gongá!"

E eu fui, eu fui pra nunca mais voltar.


Lays Vanessa.

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