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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O conto da fazenda Real

       Deu meia noite, os tambores anunciam. Naquela senzala algo irá acontecer... As palmas acompanham o rítimo estranho, na voz do negro que corta uma língua jamais conhecida na casa grande. Os olhos da negra jovem e guerreira brilhavam perto do fogo.

Ouve-se um brado aos 4 cantos da fazenda real;

    Enquanto tremiam-lhe as carnes, a moça mudara a feição e logo vieram todos os outros saudar a forte ventania que batia as portas das senzalas. Era Oyá! Guerreira e bela, vinha valente olhar seus filhos. Um velho preto já sabia e ficava de canto, fumando seu Banto cachimbo:

"-Jurema é bela, é filha de Oyá! salve a Jurema, salve seu Juremá. Guerreia alfange de raio, Sacode bela Oyá essa humilde aldeia!"

     E logo veio à sua corte, o guerreiro mais valente; Ogum, com suas espadas e seu elmo de ouro. A senzala nunca esteve tão bela! Eles guerreavam juntos contra todos e tudo, nada havia de os separar. Porém, desceu do céu um trovão. E de seu fogo e tremor, a pedra mais bonita e polida era Xangô; com suas tranças e oxés caídos aos pés da guerreira valente. Ogum desgostoso guerreou com Xangô durante os confins da eternidade, e num instante, o coração de Oyá bateu mais forte por Xangô, o rei de Oyó. Estava feita a primazia; Xangô dobrou o coração da mulher de Ogum, que desolado, foi para as encruzilhadas com seus ferros e seus cachorros montar suas forjas. Agora, Oyá era a rainha de Xangô, e com ele na pedreira foi morar. Jurema sabia disso. E quando os três se cruzavam no mundo dos homens, a guerra era certa.
Hoje, Jurema sou eu. Com o fogo de outrora brilhando em meus olhos. Adestrei-me ao sabor dos ventos, e de minha cabeça para ser sua morada. Agora, meu sossego é morar em suas tempestades, pois ela, é atemporal. Guerreia árvore de mim, Eparrêi Bela Oyá!

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